O Presídio Feminino Talavera Bruce em Bangú no Rio de Janeiro se tornou palco de denúncias de maus tratos e tratamento diferenciado com internas de orientação sexual homoafetiva, é o que alega o advogado de duas internas da unidade Dr Luiz Mantovani que representa as internas Mônica Cavedo e Rafaela Sena, segundo relata o advogado a perseguição vem sendo implacável, em maio a direção alegou que Mônica teria agredido uma outra interna, mesmo a suposta vítima estando presa em galeria diversa de Mônica e o contato físico sendo impossível, uma outra detenta acabou confessando o crime e pedindo para ser levada a delegacia para inocentar Mônica, mas a direção negou.
Mônica faz tratamento psiquiátrico desde sua juventude tendo transtorno de bipolaridade e fazendo uso de diversos remédios controlados como Sertralina, Carbamazepina e outros….todos cortados de uma só vez por ordem vinda da direção para a então psiquiatra da unidade que se vendo constrangida acabou por aceitar os cortes de medicação, o que gerou um “surto psicótico” na interna que momentos antes da crise implorou a Sub Diretora da Unidade Andreza Bezerra pelos seus remédios alegando que estava se sentindo estranha e que um surto estaria por vir, o pedido foi negado e momentos depois Mônica sem qualquer medicação entrou em surto tirando suas roupas e gesticulando, ambos os atos são sintomáticos de um transtorno de bipolaridade acentuado e não tratado.
Após a ocorrência que visivelmente foi dado causa pela própria direção da unidade, a Direção conseguiu seu intento principal de separar o casal, jogando Mônica no Regime Disciplinar Diferenciado sem que para isso tenha sido ouvido o Ministério Público ou o Juíz da VEP, segundo o advogado das internas, o RDD é medida gravosa que exige a participação do MP e decisão fundamentada do magistrado, a unidade burlou o procedimento legal para atender a razões particulares que segundo o advogado estão fundadas em preconceito enraizado.
O local onde a interna cumpre o RDD hoje fica nos fundos do presídio, um ambiente úmido e mofado com a presença abundante de fezes de gambá com a qual a interna tem contato diuturnamente, diferente de outras alas do presídio em que as mulheres tem acesso a produtos de higiene, nesse setor a apenada não recebe absolutamente nada, relatando estar sem banho desde o dia 27 de Junho porque não lhe oportunizam balde de água para tal intento e mesmo a água para beber é escassa, recebendo por dia apenas 3 garrafas de 600 ml de água supostamente potável. O advogado relata que sua cliente tentou o suicício recentemente tendo tentado cortar o próprio pulso dentro da cela, o advogado então solicitou que a interna fosse imediatamente conduzida ao hospital e depois ao IML para corpo de delito, ambos os pedidos foram prontamente negados visando abafar a situação que nesta semana parece ter atingido o seu auge.
A Defesa técnica das internas afirma ter plena confiança na ética e honradez da secretária Rosa Nebel da SEAP e espera que a mesma tome as providências cabíveis para apuração e eventual punição das envolvidas
FONTE - L. MANTOVANI